Durante os treinos livres 24 pilotos levantaram a torcida paulistana com um belo espetáculo mostrando as novas cores do SGPS, muitas novas equipes e pilotos estreando na categoria, ao mesmo tempo em que pilotos tradicionais regressavam ao circo. Os treinos livres apresentaram grande equilibrio, com 18 pilotos dentro do mesmo segundo, criando uma enorme expectativa para o treino oficial.
O sábado amanheceu com sol forte em Interlagos. O calor, somado as imperfeições da pista, prometia ser um obstáculo a mais para pilotos e máquinas durante o treino oficial. E o que se viu foi um festival de rodadas e um grande contraste, enquanto o novato Gustavo Yudi da também novata Crotallus mostrava domínio psicológico para os momentos de maior tensão, vários pilotos com muita experiência cometiam erros que lhes custavam preciosas posições. 
21 dos 24 carros que participaram dos treinos livres iriam para o treino oficial. Algumas equipes ainda se viam as voltas com o novo regulamento, e preferiram boicotar a sessão de treinos para ter mais tempo para ajustar os carros a tempo de participarem da corrida.
Voltando aos acontecimentos dentro da pista, enquanto Yudi acelerava forte na luta pela pole position, pilotos como Nelson Lira, José Luis Hauke e Alisson Soares cometiam erros cruciais que os prejudicaram no grid de largada. Mas o pior ainda estava por vir, o verdadeiro calvário ficou por conta de Erick Rabello, o piloto carioca da novata RPR, acostumado às pressões de um treino oficial, parecia não estar adequado as imperfeições do asfalto de Interlagos. Foram rodadas, escapadas de pista, e quando parecia que a situação não podia ficar pior, o piloto acabou causando uma bandeira vermelha após um forte acidente na entrada dos pits. O carro ficara bem avariado, mas com o piloto nada aconteceu, felizmente. Erick pegou então o carro reserva e conseguiu estabelecer um tempo para entrar no grid, mas numa posição nada condizente com sua capacidade. O tempo de 1:16.508 o colocara numa distante 15ª posição.

Os problemas continuavam, e agora era o até então infalível Gustado Yudi quem cometia um erro. Na entrada dos boxes o japonês vinha em velocidade muito alta, e para evitar um choque iminente com o muro o piloto freiou forte e seu carro, já descontrolado, foi rodando pit a dentro, numa imagem espetacular. A platéia de Interlagos vibrou com o espetáculo, mas dentro do carro o piloto da Crotallus parecia não estar gostando nada disso.
Outra vítima da superficie irregular de Interlagos foi Luiz Arthur Rocha. O piloto da LJR, tentando superar as expectativas, acabou exagerando na dose e viu o mundo girar na saída do Bico de Pato, num erro que lhe fez ficar bem pra trás, na 11º posição. Outro que conhecia os caminhos alternativos de Interlagos, Fernando Rodriguez, de volta à equipe de seu irmão, Alisson, tentou, tentou, e depois de rodar de maneira espetacular no Laranjinha ficou apenas com a 14ª posição.
Os problemas dos pilotos não ficaram só dentro da pista. Em inspeção feita após o treino, 4 carros tiveram irregularidades constatadas: o de Thiago Pires, de Djalma Berreta, de Welber Rocha e de Rafael Smyth foram desclassificados. Houve uma punição também para Gustavo Yudi, que fizera sua volta mais rápida quando seus 10 minutos permitidos já haviam sido estourados. Yudi perdeu o tempo de 1:15.216, que não alteraria sua posição de largada.
Longe dos problemas, Lucas Jeha, atual campeão da categoria, acelerou forte e levou sua Forest ao limite. Mesmo com uma pequena escorregada no Laranjinha, que lhe custou alguns milésimos, o japonês conseguiu o tempo de 1:15.074, o que lhe garantiu a primeira pole position da temporada e sua primeira pole position na pista de Interlagos.
Mais atrás também surpreendendo e se mantendo longe dos problemas, João Vieira, segundo piloto da Crotallus, superou inclusive seu irmão mais velho e figura carimbada da categoria para ficar com o terceiro tempo, a melhor posição de largada do piloto na categoria. Fechando a segunda fila, seu irmão, Lucas Vieira, parecia não gostar nada do desrespeito à hierarquia da família.
Completando os 5 primeiros, chegou Nelson Lira, o português da Porto voltando à categoria após quase um ano parado devido a um forte acidente nos treinos para o GP de Eastern Creek, ainda no Summer Trophy. Lira conseguiu, apesar de um erro que lhe tirou dois décimos, uma boa posição de largada em sua volta à categoria.
O treino chegara ao fim, e entre erros e acertos, todos saíram com um sentimento em comum: a felicidade pelo crescimento da categoria, que repete seu maior número de pilotos em uma sessão oficial e promete ainda mais pilotos para a corrida. No fim da tarde pilotos e equipes já preparavam os carros para as condições de corrida, porque o circo do SGPS não pára jamais!
Confira o grid de largada para o Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos.
